segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

ESCRITOR JOÃO MELO:“Decidi dedicar-me em exclusivo à escrita e à internacionalização do meu trabalho”

Isaquiel Cori

Logo após a publicação, no ano passado, em Lisboa, do seu livro “O Acumulador”, acertamos com João Melo que faríamos uma entrevista a propósito. O escritor fez questão de nos fazer chegar, por portador, um exemplar do livro. Depois de vários contratempos, da nossa parte e não dele, eis que finalmente as coisas se conjugaram e efectivou-se a entrevista através de perguntas e respostas expedidas por email, com as óbvias limitações inerentes a esse formato. O livro “O Acumulador” é uma colectânea de sete contos, “Quatro recordações da infância”, “O acumulador”, “Uma combinação espúria”, “Breve história do doutor Cunha”, “Uma simples história de amor”, “A encruzilhada” e “Os pesadelos do Grande Muata”.

João Melo fala do seu livro, do “investimento” que fez na internacionalização da sua obra, da situação na Palestina e em Moçambique, explica as razões que o fazem viver no estrangeiro, entre outros assuntos



Começou a publicar muito cedo, de tal modo que é um dos membros fundadores da União dos Escritores Angolanos. Pode falar-nos de quando e do ambiente em que começou a escrever? Quais foram as pessoas que o influenciaram a gostar de ler e a escrever?

Eu não comecei a publicar muito cedo, pelo menos em livro. É verdade que os meus primeiros poemas foram publicados em 1973, tinha eu 17 anos, numa revista que havia em Luanda, a Semana Ilustrada; mas o meu primeiro livro – “Definição” – só foi publicado em 1985, quando já tinha 30 anos. Hoje, aos 18 anos ou menos, os jovens principiantes já querem ser reconhecidos como “génios” ou quase.

 

Quem o convidou a assinar a acta de proclamação da UEA?

Foi o escritor Luandino Vieira, por sugestão – creio – de Manuel Rui, que eu conheci em Coimbra, logo depois do 25 de Abril de 1974, e a quem mostrei os meus poemas escritos até àquela altura.

 

Como era a movimentação literária em Luanda, antes do eclodir da guerra entre os movimentos de libertação?

Creio que se está a referir ao período depois do 25 de Abril, quando eu tinha 19/20 anos. Não creio que se possa falar em “movimentação literária” nessa altura, com os combates nos bairros e as balas cruzando regularmente os céus da cidade. Todos nós (mais ou menos) estávamos envolvidos com duas coisas: política e a guerra urbana. É claro que os escritores ou os que tinham aspiração a sê-lo continuavam a escrever, mas era um exercício estritamente pessoal.

 

Logo depois da proclamação da independência, Agostinho Neto preconizava que a literatura devia ser o “carro chefe” da Cultura, com os escritores a serem merecedores de um prestígio que jamais voltariam a ter. Retrospectivamente, acha que aquela opção foi realista?

Não é por não ter dado certo que era “irrealista”. Aliás, é simples: não deu certo, porque não foi aplicada, como tanta coisa em que se pensou nos primeiros anos da independência – recordo, por exemplo, os centros de saúde nos bairros... -, mas que foi posteriormente jogada no lixo. Entretanto, continua válida. A literatura é fundamental, desde logo, a partir do sistema de educação básica, pois que contribui para a cultura humanística de todas as sociedades. Mas hoje ninguém quer saber disso, em todo o mundo: o pessoal quer é dominar a informática, os algoritmos, a chamada “inteligência artificial” e usar tudo isso não para melhorar a vida em comum, mas para ter likes e engajamentos, monetizar e ter sucesso individual; os mais espertos querem trabalhar em qualquer uma das Big Four ou, então, convertem-se em “nómadas digitais” e vão para Bali, passando a viver dos seus investimentos em bitcoins.

 


A chamada angolanidade literária liberta a criatividade ou é uma amarra à criatividade?

Se entender isso pela obrigatoriedade de escrever unicamente de acordo com a geografia e a temática angolanas, de preferência “tradicional”, seja lá o que isso for (normalmente, os “tradicionalistas” esquecem-se que Angola está ligada à história do mundo há muitos séculos!), tende, sem dúvida, a sê-lo, pois “escrever por obrigação”, em princípio, não dá certo. Seja como for, isso não tem impedido que o “nacionalismo literário” tenha dado grandes obras em todo o mundo, incluindo no nosso país. Mas o que eu defendo – há muito tempo! – é que os escritores devem ter a liberdade de escrever sobre tudo o quiserem, como o quiserem e quando o quiserem. Os ditames, sejam eles político-ideológicos, “revolucionários”, formais, linguístico-estilísticos, “identitários” ou “wokistas”, quando impostos a partir de fora (pelos partidos, academias, críticos, “militantes”, o “mercado”, os “influencers” e outras figuras do mesmo teor) são fascistas. Podemos, é claro, usar todos esses viezes, mas sem perder a independência artística e a criatividade.   

 

Das memórias da infância à realidade actual de Angola, “O Acumulador” é, ao fim e ao cabo, apesar dos pesares, uma declaração de amor a Angola. Qual é a versão de Angola que mais ama? E a que odeia?

Como posso odiar o país onde nasci, cresci e trabalhei, pelo qual a minha família, quer do lado paterno quer materno, lutou pra que se tornasse independente, pela qual o meu pai, Anibal de Melo, e o meu irmão, Kiluxa, morreram e pela qual eu procurei igualmente dar o meu melhor contributo, com as minhas limitações, as minhas ilusões e os meus equívocos? Isso não faria sentido.

 

A memória ou a evocação do Pai é uma constante na sua obra. Você escreveu: “… Os heróis são seres morais; os mitos são construções estéticas”. O Pai da sua memória, e da sua obra, é um herói ou um mito?

É um herói, um mito e uma espécie de “oráculo”. Agora não tenho dúvidas: a morte dele, seis dias após a independência e nas circunstâncias em que ocorreu, foi um aviso. O título do meu segundo romance, que estou a escrever, será esse: “O Aviso”.

 

O Mundo, em geral, está tomado pelo politicamente correcto? Estamos, como disse um dos narradores no “Acumulador”, em “tempos de esdrúxulas” proibições?

É lamentável, mas verdadeiro.

 

“O Acumulador” é um conto que apela à cumplicidade do leitor, a quem o narrador se dirige abertamente e se ri do que conta. O sarcasmo, aliás, parece ser uma das marcas da sua escrita. O riso, o sarcasmo, é um expediente literário ou também faz parte da sua forma de ser e estar?

É uma maneira de estar na vida. Nós – nenhum de nós! - não somos tão importantes ou infalíveis como pensamos.

 


O conto “O Acumulador” tal como termina, na senda do conceito de “obra aberta” de Umberto Eco, resulta do “imbróglio” em que o narrador se meteu ou da “prudência e realismo” derivado do facto do personagem ser uma figura camaleónica e ainda em processo, de tal modo que não se sabe que aspecto assumirá amanhã?

Sou fã confesso de Umberto Eco e o conceito de “obra aberta” é uma das suas maiores descobertas. A vida está sempre em aberto. Se não fosse assim, a História, por exemplo, seria uma ciência morta – e não o é!

 

A questão da forma, da linguagem, parece ser uma preocupação sua nos seus últimos livros e também n’“O Acumulador”. Sente que tem de apurar mais a sua voz ou essa tem de ser uma preocupação permanente de todo o escritor?

Sempre tive essa preocupação. Literatura é linguagem, além de forma e estrutura específicas. A propósito, gosto de outro teórico, o russo Mikhail Bakhtin: - “O conteúdo está na forma”. 

 

Um aspecto que intriga leitores atentos é a capacidade de escritores angolanos em posição de poder escreverem obras a caricaturar esse poder. Isso é indício de liberdade reinante no campo da literatura?

A sua pergunta responde a isso cabalmente.

 

Praticamente não há área da realidade passada, presente ou ansiada do país, em que o melhor da literatura angolana não se tenha debruçado de modo crítico. Mas a literatura repercute pouco ou quase nada na vida das pessoas…

Há uma frase que responde a isso: os livros não mudam o mundo, mas mudam as pessoas e estas mudam o mundo... Não é à toa que os governos autocráticos e o mercado controlam a circulação de livros... Fazem-no de modo diferente, mas ambos fazem-no...

 

Com a publicação cada vez mais difícil, as tiragens tão reduzidas, entre 500 e 1.500 exemplares, e a demorarem anos para esgotar nas livrarias, qual é a motivação para um escritor continuar a escrever?

Além da própria escrita, a motivação do escritor são os leitores, claro. Ao contrário do que nos querem impingir os arautos do neoliberalismo radical, livro não é uma mera commodity. Cabe, pois, aos governos genuinamente interessados em promover o livro adotar políticas globais nesse sentido. Mas desde que o pessoal da London School of Economics e outras aparentadas tomou conta da economia em todo o mundo, a coisa está difícil... O que mais me dói, neste momento, por exemplo, é que os meus últimos livros, publicados desde 2021, não tenham um editor em Angola... 

 

Sabe-se que a comunicação social é um dos elos mais fracos do nosso sistema literário. Enquanto foi ministro da Comunicação Social chegou a diagnosticar e a traçar metas para a comunicação social na sua relação com a literatura, as outras artes e a cultura em geral?

A minha passagem pelo ministério da Comunicação Social foi uma experiência pessoal surpreendente.

 

A sua obra expande-se além fronteiras, com edições de obras suas e referências críticas em revistas e jornais e estudo em universidades em Portugal, Brasil, Estados Unidos, Venezuela… Além do reconhecimento do mérito da obra, certamente teve de investir pessoalmente?

“Investir” tempo, ideias, tentar abrir oportunidades, aproveitar as que surgem... Não tenho agente literário, o que é um problema, mas fui abrindo algumas portas aqui e ali... Outras abriram-se por si, pois, em alguns casos, fui contactado por tradutores que abriram as portas de algumas editoras... Agora, a minha editora portuguesa – Caminho – vai passar a cuidar diretamente da internacionalização do meu trabalho, o que é bom.

Deixe-me acrescentar que, com base nessa experiência e porque gostaria de ajudar a internacionalizar a literatura angolana – e não apenas a minha! -, montei um pequeno projeto que o ministério da Cultura avalizou, mas que não tem verbas para financiar; bati à porta de quatro instituições empresariais e só uma delas respondeu: negativamente... Quem disse que literatura é importante, não é? Lembro-me de um presidente africano que, há poucos anos, criticou aqueles que pensam que a nossa cultura é apenas abanar o rabo... Lamentável! 

 

O que é que os leitores qualificados desses países procuram e encontram na sua obra? Tem esse feedback?

Resumidamente, a história de Angola, em particular a recente (a luta pela independência, a guerra civil, a situação política e social pós-independência); as relações de Angola com o resto do mundo, sobretudo culturais; a estrutura narrativa considerada pós-moderna; o humor e a ironia. Sobre esta última característica, costumo dizer que o mérito não é meu: como caluanda (com costela do Golungo Alto e de Malanje), sou tributário do humor luandense (e angolano em geral).

 

Muitos argumentam que a diversidade linguística é um dos grandes obstáculos à circulação e difusão do livro em África. Mas até nos países africanos de língua oficial portuguesa essa circulação e difusão não existe. Qual é o principal obstáculo, afinal?

O problema – real – da diversidade linguística minimiza-se com traduções. Mas a maka é outra, como está patente na sua correta observação de que essa dificuldade também existe entre os países africanos de língua portuguesa (e lusofalantes em geral). A questão é todos os nossos governos – africanos, da CPLP e outros – estão reféns das crenças e práticas neoliberais, pelo que importar e exportar livros é o mesmo que importar e exportar cebolas, tomates, computadores ou minérios. Aliás, corrijo: se calhar, importar ou exportar minérios é menos oneroso economicamente, pelo menos em termos percentuais, uma vez que, para facilitar os negócios, certas taxas podem ser aliviadas ou isentas...  Não sei se sabe, mas, muitas vezes, um livro enviado pelo correio de Angola ou do Brasil para Portugal – país da União Europeia – paga muito mais de frete, direitos e taxas do que o respetivo custo unitário! E vice-versa... Uma coisa patética... Há ideias simples para facilitar e aumentar a circulação de livros entre os nossos países, mas ninguém quer ouvir.

 

Vive actualmente no estrangeiro. Em que país passa mais tempo?

Desde que me reformei, no final de 2019, decidi dedicar-me em exclusivo à escrita e à internacionalização do meu trabalho. Por causa da Covid, 2020 foi um ano para esquecer em termos de viagens, mas deu para escrever dois livros: “Diário do Medo” (poesia) e o meu primeiro romance, com o título “Será este livro um romance?”. Entretanto, tenho dois filhos a estudar nos EUA (um está a acabar o mestrado em literatura e outra está na Brown University, sendo o primeiro estudante angolano em geral – a primeira, no caso! - a entrar numa Ivy League, até agora) e, por isso, resolvemos ficar mais perto deles; assim, a minha base principal desde essa altura tem sido Lisboa, que funciona como uma espécie de plataforma, a partir de onde posso vir facilmente a Luanda, ir aos EUA e também a outros lugares, principalmente por causa de atividades literárias. Mas essa minha vida de “nómada” tem prazo, pois isso de só comer jinguinga de três em três meses não dá! A minha costela malanjina não aguenta...   

 

É um dos fundadores do Clube Literário Kalunga, que uma vez por mês junta num mesmo espaço escritores africanos de língua portuguesa, de Portugal e América Latina, com destaque para o Brasil, para lerem poesia e falarem de literatura. Sendo o principal mentor desse projecto, pode dizer-nos das suas motivações e objectivos?

Simples. Divulgar, em particular aos leitores portugueses, mas não só, a poesia africana contemporânea, mas fugindo a uma espécie de “lógica de gueto”, misturando-a com a poesia portuguesa (o país europeu que “descobriu” o Atlântico) e americana em geral; como sabe, não se pode falar das américas sem falar de África.

 

Quais os critérios para participar nesses encontros?

Estar ou passar em Lisboa e ter interesse em participar. Aproveito para reiterar publicamente o convite aos poetas angolanos que passarem por Lisboa para participarem nesse evento. O mesmo tem lugar sempre na última quarta-feira de cada mês, numa livraria chamada SNOB. Nem sempre – digo-o – eu participo nesses encontros, mas eles não dependem de mim para acontecer. A poeta colombiana Lauren Mendinueta, o português Luís Castro Mendes, o angolano Zetho Gonçalves e o brasileiro Ronaldo Cagiano, além de outros, mantêm a “máquina” a funcionar.

 

Na sua qualidade de articulista, nos últimos anos, escreve preferencialmente sobre temas da actualidade internacional. Essa opção é para evitar eventuais reacções adversas se abordasse temas da actualidade política nacional?

A interpretação é sua.

 

Sendo uma pessoa muito atenta ao que se passa no mundo, acredita que nunca estivemos tão perto da terceira guerra mundial?

Só não vê quem não quer. A paz deve ser a principal bandeira da humanidade, neste momento. Precisamos de criar um movimento pacifista universal, uma ampla frente anti-belicista e anti-extrema direita.

 

Como compreender a impunidade de Israel que parece empenhada em dizimar a população da Palestina?

Alguns atribuem isso – corretamente – à falência moral do Ocidente e do seu complexo de superioridade civilizacional. Eu vou mais longe: os factos atestam que o Ocidente continua imperialista e colonialista. Os seus alegados “valores” são uma falácia. O Estado de Israel, além de uma criação do anti-semitismo europeu (que, não querendo integrar os judeus, inventou um país onde coloca-los), é um instrumento de limpeza étnica e de domínio colonial na Palestina. Outros países fundados por europeus nasceram assim, como a Austrália, que dizimou praticamente os aborígenes, mas na época ainda não havia satélites, Internet ou Tik Tok e, portanto, o mundo não assistiu a esse genocídio em direto. Voltando a Israel, não podemos esquecer-nos também do seu papel de guardião dos interesses do principal império mundial na Ásia Ocidental (a que chamamos Médio Oriente). 

 

Como é que um partido político tão experiente como a Frelimo, em Moçambique, permitiu que a situação descambasse para a confusão actual? Quais as lições que o MPLA, em Angola, tem a tirar do exemplo da Frelimo em Moçambique?

A questão é muito ampla, mas responderei com uma ideia-chave, que julgo estrutural: quando partidos populares e de esquerda (em sentido amplo, do trabalhismo ao marxismo-leninismo, passando pela social-democracia) descobrem “a cor do dinheiro” e abdicam dos ideais de justiça social, aderindo alegremente ao radicalismo económico neoliberal, essa opção conduz à má governação (por exemplo, priorização de políticas equivocadas, que beneficiam os interesses dos ultra-milionários ou candidatos a sê-lo, mas não resolvem os problemas dos cidadãos) e à corrupção (a qual, em certos contextos, como o africano, pode tornar-se descontrolada); ora, o resultado dessa dupla deriva é só um: o descontentamento popular, o qual, no limite, pode conduzir ao fim da hegemonia dessas forças políticas. Esse fenómeno é literalmente global e começou com o trabalhismo inglês no início dos anos 90. É também uma das explicações para o crescimento da extrema direita no mundo. Os pobres estão a aderir a movimentos populistas e messiânicos. Moçambique (e não só) está a correr esse risco. A principal responsabilidade é da desgovernação e da corrupção.

 

Tem medo da Inteligência Artificial? Ela não pode pôr em causa a arte de escrever tal como a conhecemos e a praticamos?

Medo? Não estou a pensar dar-lhe qualquer confiança. Mas não posso deixar de fazer algumas notas. Primeiro, “inteligência artificial” não existe, pois toda a inteligência é natural. Segundo, o mecanismo designado erroneamente (por pura estratégia de marketing) “inteligência artificial” é um instrumento, logo, é instrumentalizável, pelo que, em última instância, depende de quem o detém e dos respetivos interesses (particulares ou estruturais). Por fim, o único receio que tenho do seu efeito relativamente à literatura, em particular, não é a sua suposta concorrência aos “escritores de carne e osso”, digamos assim, mas – isso, sim! – o uso perverso e até criminoso que alguns indivíduos fizerem da IA. São os casos, por exemplo, do plágio e da fuga ao pagamento dos direitos de autor.

……………………

 

Bio-bibliografia 


João Melo nasceu em 1955, em Luanda (Angola), onde fez os estudos primários e secundários. Estudou Direito em Coimbra (Portugal) e em Luanda (Angola), licenciou-se em Jornalismo em Niterói (Brasil) e fez o mestrado em Comunicação em Cultura no Rio de Janeiro (Brasil). É membro fundador da União de Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras. Desde 2020, dedica-se em exclusivo à escrita, dividindo o seu tempo entre Angola, Portugal e EUA. Publicou até agora 26 livros, entre poesia, contos, ensaios e um romance. Alguns deles, além de lançados em Angola, Portugal e Brasil, foram publicados nos EUA, Cuba, Itália, Espanha, Reino Unido e Tunísia. Tem poemas traduzidos para inglês e francês, publicados em sites e revistas literárias internacionais. Em 2009, foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Cultura e Artes, categoria de Literatura. Em 2023, com o livro “Diário do Medo”, venceu o Prémio de Literatura DST Angola/Camões.

“O Acumulador” é o seu oitavo livro de contos. Neste novo livro, o autor prossegue o seu projecto político-literário: interrogar-se sobre a sociedade e a política angolanas. Além da história e da política do seu país, as relações interpessoais, marcadas por sentimentos partilhados universalmente, são também tratadas nestes contos. Temas inevitáveis, como identidade e raça, são referidos com naturalidade, sem maiores dramatismos. Um destaque particular para as relações entre homens e mulheres no contexto angolano, topo recorrente na obra ficcional do autor.

(Da nótula da editora Caminho)

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