segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

NÃO FOI DESTA Um dia vamos chegar lá

Como nos tempos actuais -, em todo o mundo -, compete ao futebol, os Palancas Negras fizeram os angolanos sonhar com a possibilidade de ir mais longe no CAN que decorre na Côte D'Ivoire, quem sabe, pelo menos, chegar às meias finais... mas não foi desta.

Isaquiel Cori



Não foi desta, mas valeu a pena. Desde a qualificação para o Mundial de 2006 na Alemanha que não havia tanta sintonia entre os angolanos e a sua selecção nacional de futebol.  A qualificação dos Palancas Negras para os quartos de final do CAN 2024 na Côte D’Ivoire, não sendo um feito inédito (foi a terceira vez) aconteceu depois de um longo período de divórcio com o público, que perdera completamente a fé nos seus rapazes. A jornada para a qualificação nem por isso convenceu, com vitórias magras, muito poucos golos e exibições fracas.

Já os jogos na Côte D’Ivoire convenceram e galvanizaram os adeptos, os golos apareceram com fartura e as exibições foram de encher os olhos. Os Palancas Negras fizeram sonhar a todos, todos começamos a acreditar que era possível ir mais longe e, quem sabe, ganhar mesmo o título de campeão africano. O sonho, que em ocasiões anteriores seria considerado autêntico disparate, pareceu a todos completamente plausível, possível de alcançar aí bem ao dobrar da esquina. Só que teríamos de passar, necessariamente, pela Nigéria.

Era tanta a euforia dos angolanos que muitos de nós esqueceram-se que a nossa selecção nacional tinha diante de si um gigante do futebol, três vezes campeão de África (1980, 1994 e 2013), com seis participações na fase final do Campeonato do Mundo (1994, 1998, 2002, 2010, 2014 e 2018) e dezenas de jogadores a actuarem nos melhores clubes do planeta.

Sonhar não é proibido, é verdade. Tanto é assim que os bravos jogadores fizeram-nos sonhar, tiraram-nos por alguns longos dias da mesmice das nossas vidas, colocaram-nos entre as oito melhores nações do continente e fizeram-nos sentir capazes de ir mais longe. Mas encontramos uma parede chamada Nigéria.

E mesmo assim, em pleno jogo, os nossos jogadores dignificaram o nosso país. Fomos derrotados pela expressão mínima e saímos do campo de ombros e cabeça levantados. O futebol é mesmo assim. Faz-nos sonhar, desilude-nos, mas chega um dia em que concretiza os nossos sonhos mais altos. Um dia, talvez com uma outra geração de futebolistas, certamente com mais organização e mais trabalho, vamos chegar lá, no âmago dos nossos sonhos e despertar vitoriosos. Assim é o futebol. Assim é a vida.

 

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