domingo, 2 de janeiro de 2011

Jornalismo Angolano Hoje

Da importância dos prémios aos profissionais


Isaquiel Cori

Os prémios, seja em que actividade for, constituem sempre um importante elemento de estímulo à criatividade e inovação e uma forma de conferir alguma transcendência àquilo que se faz todos os dias. 
Em algumas profissões um dos principais inimigos da eficiência contínua é o tédio, que resulta de se estar a fazer todos os dias a mesma coisa.
Daí que, pessoalmente, saúdo todos os prémios que visam incentivar os profissionais de uma determinada área ou a estimular e encorajar o acesso de novatos a essas áreas. Aliás, é minha opinião que os prémios deviam multiplicar-se, em todas as áreas, sejam profissionais, artísticas, desportivas, académicas ou culturais.
Enquanto profissional do jornalismo, tenho acompanhado o frenesim que se estabelece na classe quando se aproxima a data do anúncio dos vencedores dos concursos, sejam provinciais ou nacionais. Há como que um despertar da consciência de que se deve trabalhar mais e melhor para se ser considerado candidato ao galardão máximo. Ora, aí, como se diz vulgarmente, já é tarde e má hora.
Sendo anuais, os prémios precisam de ser abordados, pelo profissional interessado, com um projecto estratégico de trabalho coerente, cuja concretização se estenda ao longo de grande parte do ano. Isto porque a maioria dos júris tende a considerar mais os candidatos que se tenham revelado não só com qualidade mas também com bastante regularidade.
Independentemente da agenda de iniciativa das respectivas empresas, os jornalistas devem estabelecer uma agenda de trabalho pessoal, que deverão naturalmente submeter à direcção do órgão a que pertençam, garantindo assim a sua exequibilidade material e operacional.
O género mais susceptível a premiação é a reportagem, dado o seu maior impacto, resultante do facto de poder captar de forma mais completa e humanamente interessante os vários recortes da vida e de exigir do jornalista não só um grande domínio da narrativa jornalística mas também um olhar incisivo e acutilante sobre aquilo que constitui o objecto da reportagem. Os outros géneros, naturalmente, também são de considerar.
No fim de tudo, quando se anunciam os vencedores, caso não tenha sido um deles, o profissional não deve esmorecer: a sua postura pró-activa em torno de um trabalho continuado no tempo, certamente, terá contribuído para a elevação da sua reputação profissional.
Os prémios são, assim, também, um pretexto para se fazer algo que se eleve para lá da rotina do quotidiano. Daí que, efectivamente, deviam multiplicar-se, inclusive no âmbito interno das redacções. A competição profissional, saudável e leal, devia ser incrementada, de forma transparente, com a concessão de estímulos que tanto poderiam ser financeiros, materiais e até mesmo simbólicos.
Todos, certamente, sairiam a ganhar.