quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Dos livros I

Face a emergência das chamadas novas tecnologias de informação, cogitou-se, pelo mundo fora, a possibilidade da morte do livro enquanto suporte de informação e conhecimento. A literatura, como arte, estaria igualmente em perigo, a não ser que se adaptasse ao novo contexto tecnológico.
Passam-se os anos e entretanto o livro, apesar da enorme concorrência que lhe faz a Internet, em todo o mundo continua a ser um meio incontornável de acesso aos vários saberes.
Mas o que particularmente fascina nos livros é a sua capacidade de retenção e difusão da cultura. O livro, aparentemente objecto, a partir do momento em que é folheado e lido passa a ser um sujeito activo de influência cultural. Assim, dezenas, centenas ou mesmo milhares de anos, épocas, sociedades e pessoas de cuja existência material talvez só reste mesmo como prova a referência contida no próprio livro, como num acto de magia voltam a ganhar vida através deste gesto tão simples, mas carregado de plena soberania e autodeterminação, que é o gesto da leitura.
Um gesto que propicia o prazer e uma melhor compreensão do mundo, da vida e de nós mesmos. E que, por outro lado, é um campo aberto aos afectos.
As pessoas que não sabem ler jamais saberão verdadeiramente o quanto perdem. Mas já é, no mínimo, paradoxal, haver pessoas que saibam ler e desperdicem a oportunidade que têm de entrar directa e pessoalmente em comunhão com uma fatia que seja da herança cultural humana e intemporal patente nos livros. E mais do que paradoxal já chega a ser mesmo uma atitude de irresponsabilidade quando tais pessoas vedam ou não fazem nada para que os seus filhos tenham acesso ao livro.
É que na verdade a formação integral dos cidadãos passa pelo acesso ao livro e pelo cultivo do gosto da leitura. E como já estamos na “antecâmara” da quadra festiva de fim de ano, talvez fosse bom pensarmos já em traduzir e concretizar a nossa afectividade uns para com os outros através da oferta de livros.
Isaquiel Cori